12 de junho de 2015

Conto - Os Ciúmes

Olá a todos.
Desta vez, não vou compartilhar nenhuma experiência pessoal, mas um conto cujo tema central é o "ciúme" ou os "ciúmes". Curiosamente, no dia dos namorados.

Caso se identifiquem com uma das duas personagens, não é mera coincidência.

Boa leitura. 



Marcos e Tereza formavam um casal jovem. Ele, funcionário público com 15 anos de carreira. Ela, esposa dedicada que trabalhava vendendo tudo o que fosse possível vender através dos seus catálogos. Era uma forma de ajudar o marido no orçamento de casa.

Eram um casal feliz, cúmplices, parceiros, sonhadores... Mas tinham um ponto fraco. Um ponto fraco em comum: eram muito ciumentos.

Marcos era de poucos amigos, de pouca conversa no trabalho, saindo muito pouco do "meramente profissional". Limitava-se a comentar um ou outro filme que assistiu com Tereza e alguma coisa que, segundo ele, "merecia ser compartilhada".

Tereza era expansiva, comunicativa e acumulava amizades. Desde as da época de criança, do colégio, as clientes... Isso deixava Marcos um pouco irritado - mais tarde ele descobriu que era ciúmes!

Marcos trabalhava com uma equipe grande, homens e mulheres, muitas das quais bonitas. Mas, sinceramente, Marcos não se sentia atraído por aquele tipo de mulher. Coisa dele. Umas fumavam; outras curtiam músicas que ele não tolerava; algumas só pensavam em festa, roupa, sapato, maquiagem e namoros de interesse. Definitivamente, não entendia como aquelas mulheres, apesar de inteligentes e lindas, tinham comportamentos tão "bizarros". Mas tudo bem. Eram talentosas e eficientes no trabalho. Era o que importava.

Vez por outra, Marcos precisava viajar até uma das cidades vizinhas com alguns de seus colegas. Algumas vezes, um homem; outras vezes, uma dessas mulheres. Era coisa rápida. Iam com o motorista do órgão bem cedo e voltavam no final da tarde.

Numa dessas viagens, Tereza "armou o maior barraco". Dizendo coisas sobre viajar com aquele tipinho de mulher... Que eles iam ficar juntinhos... E insinuando coisas que jamais passaram pela cabeça de Marcos.

Marcos e Tereza, em pleno "arranca-rabo"
Marcos revidou. Fez pouco caso das "amizades meteóricas" de Tereza... Que ela não conhecia aquelas pessoas o suficiente pra ficar contando das férias, da reforma da casa, do carro novo... Que isso despertava inveja nos outros... Que ela ficava de conversinha com um e com outro nesses aplicativos de celular... Enfim!

O interessante, é que Marcos não era inseguro em relação aos sentimentos de Tereza. Ele sabia que ela não era do tipo de mulher que o trairia. Ela até chegou a falar:
- Marcos, deixa de ser infantil. Você tem ciúmes das minhas amigas? Elas não são lésbicas! - falou isso juntando as mãos e apontando lá pra baixo!

Foi justamente nesse ponto, que Marcos percebeu que sentia um ciúme tremendo de Tereza.
- Tereza, eu tenho ciúmes sim! Mas não é em relação ao seu corpo, não. Eu tenho ciúmes em relação aos seus sentimentos em relação a eles e elas. Tenho ciúmes pelo tempo gasto nas conversas, dos papos engraçados, da energia que você gasta à toa com eles.

Fez uma pausa e continuou.
- Se isso te deixar mais tranquila, saiba que eu posso trabalhar no mesmo lugar que um monte de mulheres e eventualmente viajar com uma delas. Eu já passo o dia todo com elas, estar num carro é o mesmo que estar no escritório. Você tem ciúmes do meu corpo. Eu não. Eu tenho ciúmes da sua alma.

E foi além.
- Não passa pela minha cabeça me relacionar de forma alguma com aquele tipo de mulher. Primeiro, porque não são o meu tipo. Segundo, porque sou casado com você. E terceiro, sou fiel às minhas escolhas. VOCÊ TEM CIÚMES DO MEU CORPO. EU TENHO CIÚMES DO SEU CORAÇÃO!

Tereza não sabia o que falar e Marcos se surpreendeu como conseguiu falar aquilo tão abertamente.

Os dois perceberam que ambos sentiam ciúmes. Ela, de uma forma. Ele, de outra.

O que será que aconteceu depois?

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