10 de junho de 2015

Dissolução do Ego

Olá a todos!
Primeiramente, olhe para esta imagem. Foi eu mesmo quem desenhei. Ela retrata a fase em que me encontro: arrancando o revestimento do Ego.

Arrancando o Ego.


Porém, antes de entrar no conteúdo da postagem propriamente dito, apresento uma definição básica sobre o Ego e alguns outros termos relacionados.

Ego designa na teoria psicanalítica uma das três estruturas do modelo triádico do aparelho psíquico. O ego desenvolve-se a partir do 'Id' com o objetivo de permitir que seus impulsos sejam eficientes, ou seja, levando em conta o mundo externo: é o chamado princípio da realidade. É esse princípio que introduz a razão, o planejamento e a espera no comportamento humano. A satisfação das pulsões é retardada até o momento em que a realidade permita satisfazê-las com um máximo de prazer e um mínimo de consequências negativas.
A principal função do Ego é buscar uma harmonização inicialmente entre os desejos do Id e a realidade do Superego. Há muitos conflitos entre o Id e o Ego, pois os impulsos não civilizados do Id estão sempre querendo expressar-se. Freud destacava que os impulsos do Id são muitas vezes reprimidos pelo Ego por causa do medo de castigo. Ou seja, o Ego pode coibir os impulsos inaceitáveis do Id, o "desejo de roubar", por exemplo, seria um impulso do Id (que é totalmente inconsciente). Porém, visto que o indivíduo não pode sobreviver obedecendo somente aos impulsos do Id, é necessário que ele reaja realisticamente a seu ambiente de convívio. O conjunto de procedências que leva o indivíduo a comportar-se assim, é o Ego. O Ego é, portanto, mais realístico do que o Id, visando sempre as consequências dos impulsos inconscientes do Id.
O Ego não é completamente consciente, os mecanismos de defesa fazem parte de um nível inconsciente.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ego
Em outras palavras:

O ego é, para a psicologia, a instância psíquica através da qual o indivíduo se reconhece como eu e tem consciência da sua própria identidade. O ego é portanto o ponto de referência dos fenómenos físicos e faz de mediador entre a realidade do mundo exterior, os ideais do "supereu" e os instintos do "id".
Para a psicanálise freudiana o "id" é composto pelos desejos e pelos impulsos. O "supereu" (superego), em contrapartida, é formado pela moral e pelas regras que um sujeito respeita na sociedade. O "eu" (ego), por último, é o equilíbrio que permite que o homem possa satisfazer as suas necessidades dentro dos parâmetros sociais.
O ego, que evolui com a idade, procura dar cumprimentos aos desejos do "id" de forma realista, conciliando-os com as exigências do "supereu". O "eu", por conseguinte, muda com o passar do tempo e de acordo com o mundo externo.
Fonte: http://conceito.de/ego

Para saber mais sobre a origem e evolução do Ego, surgiro fortemente o podcast "A Origem e Evolução do Ego", de 29/05/2014 Por Karl Bunn (presidente da Igreja Gnóstica do Brasil), ou a leitura de sua versão em PDF.

No entanto, o Ego não é mau em si. Ele é necessário para nossa própria individualidade. Mas deixar que o Ego tome conta de nossa consciência e de nossa própria vida é o problema. Para mais informações sobre isso, recomendo a leitura das "Cartas de Cristo – Carta 5"

Atitudes que fortalecem o Ego

Os 7 pecados capitais
Os pecados capitais são comportamentos que nós desenvolvemos e que fortalecem o Ego, ou melhor, o preservam.

1. Gula: é o desejo insaciável por comida e bebida. É aquele pouquinho a mais que nós comemos após a saciedade. É aquela junk food que, reconhecidamente faz mal à saúde, mas mesmo assim, comemos porque é gostosa...

2. Ganância: apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro. É aquele carro caro, financiado em trocentas prestações. É o sapato desnecessariamente caro. É a privação do convívio com a família e amigos para fazer hora extra e juntar mais dinheiro...

3. Luxúria: desejo passional e egoísta por todo o prazer corporal e material. Não só relacionado ao sexo, mas aspectos ligados à ostentação. É aquele fetiche sadomasoquista, é o tênis desnecessariamente caro que ostentamos na academia. É o celular top de linha pra fazer inveja às recalcadas...

4. Ira: sentimento humano de externar raiva e ódio por alguma coisa ou alguém. É o desejo de matar o cara que bateu no nosso carro novo (aquele que foi financiado em trocentas prestações!), é a vontade de dar dedo praquele cara que nos fechou no trânsito...

5. Inveja: desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue. É o desejo que nossa grama seja tão ou mais verde que a do vizinho...

6. Preguiça: alguém que vive em estado de falta de capricho, de esmero, de empenho, em negligência, desleixo, morosidade, lentidão e moleza, de causa orgânica ou psíquica, que a leva à inatividade acentuada. É o "deixar pra amanhã, o que se pode fazer hoje"...

7. Soberba: também conhecida como vaidade ou orgulho. É esperar que o outro assuma seus erros... É se achar sempre certo... É se achar melhor que os outros...

Dissolução do Ego
Voltando àquela imagem do começo. Sinto que o Ego é como aquela roupa que os mergulhadores usam: são coladas ao corpo, são elásticas e podemos puxá-la que ela estica e votla. Pois é da sua natureza permanecer colada ao corpo. Assim é o Ego, profundamente arraigado à nossa verdadeira natureza, ao nosso verdadeiro "eu".

No entanto, é preciso romper essa "roupa", é preciso dissolver o Ego. E, na minha compreensão, não é simplesmente abandonar a vida, desistir de viver ou mudar radicalmente o estilo de vida. Pelo contrário, é aprender a viver.

Por exemplo, para eliminar o pecado da ganância não é necessário se desfazer dos bens materiais. Mas, sim, alterar a percepção que se tem deles. Reconhecer que precisamos deles, mas que eles não são a real fonte da nossa felicidade. Não é o carro caro (e financiado), do último modelo que me fará mais feliz, tampouco o celular top de linha pra fazer inveja às recalcadas... E em seu oposto, não é um carro mais simples ou não tê-lo que me fará necessariamente mais feliz. O desejo de ter um carro melhor, mais caro e todas as sensações (efêmeras) proporcionadas por esse objeto servem unicamente para fortalecer meu Ego, como forma de status, pra fazer inveja aos vizinhos, pra provar que somos "os melhores", etc.

Em verdade, a forma como nós nos relacionamos com os bens materiais é que será responsável pela eliminação desse defeito e, por conseguinte da retirada das rédeas das nossas vidas das "mãos" do Ego.

Da mesma forma com a gula: reeducação alimentar, mudança de hábitos. A forma como nós nos relacionamos com os alimentos precisa mudar: consumir alimentos mais puros – livres de contaminantes e prejudiciais à saúde.

E assim para todos os outros defeitos.

Na verdade, os pecados capitais ou defeitos, se sobrepõem e se auto-alimentam. Dessa forma, a constante vigília dos pensamentos, reconhecimento dos próprios defeitos são formas de eliminar esses defeitos e "enfraquecer" o Ego.

O meu caminho
Durante parte da minha vida, procurei deixar minha casa bem arrumada, bem decorada, com móveis confortáveis (e, por vezes desnecessariamente caros) pelos quais dispensava um cuidado excessivo:
- Cuidado, esse sofá custou caro, tire o pé daí.
- Limpe os pés antes de passar pelo tapete!
- Essa taças foram caras, cuidado pra não quebrar.
Essas eram frases que cotidianamente usava...

Procurei arrumar minha casa, não para os moradores: eu, esposa e filhas. Mas focalizando nos "amigos". Me preocupei em organizar e decorar a cozinha para receber casais de amigos pra um jantar de final de noite; arrumar o quintal para um churrasco com os amigos no final de semana.

Mas, um dia eu me despertei. Tinha arrumado a casa toda e ainda não tinha tido 1 jantar... Ou 1 churrasco com os "amigos". Foi então que me atentei para o principal:
- Onde estavam meus amigos? Quem eles eram?

Simplesmente não tinha amigos.
- Tem a família!
- Ah! Arrumar a casa pra família?!? Família não conta - retrucava meu Ego, lá no fundo!

Finalmente percebi que minha família são meus verdadeiros amigos. Que não se importavam se tinha móveis caros, tapetes felpudos ou taças delicadas. Acredito que isso mais atrapalhava. Pois deviam se sentir tão sufocados que não podiam aproveitar os momentos comigo.

Foi aí que percebi o caminho errado que havia tomado. Mas ainda tinha como reverter. Não precisei me desfazer do sofá, do tapete ou das taças. Não demoli o "cantinho do churrasco". Mas passei a me relacionar com esses bens, de outra forma.

Todo sofá suja e fica velho; todo tapete perde a maciez; uma ou outra taça vai inevitavelmente quebrar. Só não fica sujo, o sofá que ninguém senta. Só permanece felpudo o tapete pelo qual ninguém anda. Só não quebra a taça em que ninguém bebe.

Arrancar essa carapaça chamada Ego, que esconde minha verdadeira natureza - o meu "eu" interior - é uma tarefa árdua. Mas é o caminho que eu acredito para a minha realização.

Paz a todos!


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