23 de junho de 2015

Eu era minha própria contradição

Olá a todos!
Trago até vocês, um daqueles meus estalos da consciência. Um momento em que eu acordei uns comportamentos adormecidos dentro de mim: respeito e tolerância; e silenciei um que estava bem acordado: o preconceito.


Desde a infância, fui visto como CDF (numa época em que o termo "nerd" não existia! Eu era um "nerd" da minha época), como um "santinho", "carinha de anjo"... Mas eu não gostava que me rotulassem assim e tentava, a todo custo, me desfazer desses estereótipos.

Porém, eu era a minha própria contradição. Cresci julgando (e condenando) as pessoas que conviviam comigo com base na minha "primeira impressão". Na época da faculdade, com esse comportamento já bem estabelecido, não me aproximava de um colega, que eu considerava "o drogado" porque tinha um penteado 'assim'. A outra era "a piranha" porque usava um batom 'assim'. O outro era "o vagabundo" porque tirava notas baixas... Enfim. Segui julgando todas pessoas que conviviam comigo... E mais: acabava condenando-as (!) a não terem a minha amizade! Santa ignorância, Batman!


Porém, o tempo passava e fui começando a perceber que todos pertenciam a um grupinho. Todos marcavam de se encontrar no final de semana. Todos se ligavam... E eu, na minha santa intolerância, permanecia isolado, sem ninguém pra sair no fim de semana, sem ninguém pra me ligar... Comecei a perceber que EU que tinha algo de errado.

Foi então, que quebrei o gelo e comecei a tentar me entrosar com "esse povo". Descobri que "o drogado" tinha aquele penteado simplesmente porque gostava e pronto! Que "a piranha" era a mais tímida da turma e que aquele batom era a forma de chamar atenção e se auto-afirmar como uma mulher segura e com auto-estima elevada. Que "o vagabundo" tirava notas baixas porque vinha de uma relação complicada com os pais... E eu era o preconceituoso, ignorante e intolerante porque me achava acima dos outros.

Comecei a entrar em um e outro grupinho... Comecei a fazer trabalhos em equipe com o cara do cabelo diferente. Era vizinho da menina de lábios vermelhos e comecei a pegar carona com o irmão dela para ir e vir da faculdade. E o cara das notas baixas se tornou o meu melhor amigo!

Porém, ainda residia em mim, um pouco (muito, na verdade!) preconceito. E o meu despertar para parar definitivamente com isso, veio em uma caminhada na praia. Percebi que as pessoas tinham uma história de vida, tinham seus motivos para serem do jeito que são. Que, independente da minha opinião, elas continuariam sendo elas mesmas. Da mesma forma em que as ondas vão e vêm, independente das pedras, da areia da praia... As ondas simplesmente acontecem. Elas não estão nem aí pra minha opinião!

Comecei a perceber que o meu comportamento preconceituoso nasceu justamente da minha tentativa constante de evitar que os outros fossem preconceituosos comigo. E por ficar "sintonizado nessa frequência" acabei desenvolvendo o comportamento preconceituoso. Eu era minha própria contradição.

Decidi que daquele ponto em diante, faria de tudo para não julgar (e condenar) ninguém, com base na "primeira impressão" ou nas minhas pré-impressões. Nos paradigmas construídos, nos conceitos já existentes, isto é, nos pré-conceitos, preconceitos!

E de uns bons tempos pra cá, tenho visto mais que "cabelos", "batons", "salários"... Tenho enxergado "pessoas", "histórias", "sentimentos", "conquistas"...

E como isso tudo tem me feito mais feliz!

Paz a todos!

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