16 de junho de 2015

Oração de São Francisco (COMENTADA!)

Sempre achei a Oração de São Francisco de Assis uma das mais belas petições a Deus. Acima dela, somente o Pai Nosso (que futuramente comentarei...)

A Oração de São Francisco é o exemplo perfeito de amor ao próximo, de abnegação, de dissolução do Ego. Por intermédio dela, reconhecemos nossa limitação, nossas fraquezas e pedimos ao Pai que nos ajude no caminho do serviço à humanidade.

Oração de São Francisco
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Comentando
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
São Francisco reconhece que a paz vem de Deus, do Pai, do Criador... E roga para que seja um veículo desta paz para os povos.
Certa vez, um amigo comentou que "paz" não era ausência de problemas, mas "serenidade para superá-los".
Reconheço que ser um "instrumento da paz de Deus" é atravessar os caminhos da adversidade com a presença do Criador.
A primeira súplica de São Francisco é que a "paz" esteja com ele. A partir de então, é possível trilhar todos os caminhos.

Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Depois da paz de Deus o acompanhar, ele reconhece que o próximo passo é o 'amor'.
E São Francisco pede que ele leve o amor, que vem do Criador.
O amor livre de preconceitos, esteriótipos, condições. O amor puro e verdadeiro.

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
E a partir do amor, é possível perdoar. Por isso que se diz que quem ama perdoa. Na verdade, eu digo que "quem perdoa, ama!".
Percebo que as súplicas de São Francisco são uma espécie de pré-requisitos das outras. Vejo que só se pode alcançar um estado, após obter o anterior. E reconheço que a ordem apresentada por São Francisco é lógica!
Perdoar é um ato de amor, pois tiramos um peso das costas do pecador, algo que lhe aflige a consciência e que revela-se um ato de desapego, pois curamos nosso ego ferido a partir das nossas próprias escolhas: perdoar.

Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Após, ele pede a união. Ou seja, o reestabelecimento da conexão com Deus.
Eu vejo no trecho do perdão e nesse trecho, uma profunda relação com o /Pai Nosso/, naquela parte que diz "Perdoai as nossas ofensas / Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido".
Pedimos ao Pai que nos perdoe na mesma medida que perdoamos os que nos ofendem.
Oras, se somos capazes de perdoar, não poderemos ser perdoados.
Desta forma, ao perdoarmos, somos perdoados. E ao sermos perdoados, reestabelecemos nossa conexão com Deus. Essa é a união que São Francisco pede.

Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Fé é certeza. É mais que simplesmente crer, acreditar. Fé exige uma relação direta com Deus.
Sobre a 'fé', eu costumo usar a seguinte analogia:

Imaginemos que somos um aparelho de rádio que podems sintonizar diversas estações: 96MHz, 99MHz, 102MHz.. etc.
Podemos dizer que isso é 'crer', ou seja, reflete uma 'possibilidade'.
Somente ao sintonizarmos em uma estação, isto é, na medida em que o rádio estabelece uma conexão com uma determinada frequência, e começa a captar seus sinais, a possibilidade se transforma em realidade. Músicas, notícias e tudo mais passam a ser disponíveis.
Isso é Fé. É essa relação direta entre nós e Deus.
Por isso, "ter Fé" é muito mais que "crer".

Onde houver erro, que eu leve a verdade;
A verdade é fruto da presença de Deus. E somente essa presença é capaz de nos guiar pelos caminhos retos e nos livrar dos caminhos errados.
Por isso, São Francisco pede a Deus que O leve aos que precisam conhecê-LO, para tirá-los do erro.

Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
A desespero é como se fosse uma pilha fraca que alimenta aquele rádio que comentei a pouco. À medida que bate o desespero, começamos a ficar cegos e a não enxergar a conexão com Deus como canal para reenergizar nossas vidas.
A esperança é o sentimento que nos faz enxergar o caminho a seguir: a conexão com Deus, que nos livra de todos os males, através do amor, da união, da fé...

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
E a alegria, o bom-humor, a felicidade é a pilha 100% carregada. Que nos dá forças para seguir em frente.

Onde houver trevas, que eu leve a luz.
E, por fim, São Francisco pede a luz da consciência. Ele quer levar tudo isso, ou seja, toda essa informação aos que precisam. Mas, uma hora, essa pessoa terá que "andar com suas próprias pernas". Isto é, terá que reconhecer que Deus é paz, amor, perdão, união, esperança, alegria...
E para isso, ele pede que essa luz seja o despertar da consciência.

Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.

Deus, o Pai, o Criador está profundamente ligado à força crística, ao Cristo, seu filho.
E roga a essa 'força crística', encarnada por diversos Mestres (Buda, Maomé, Jesus etc.) e não aos portadores dessa força. São Francisco não roga a Jesus, mas sim ao Cristo, que é universal!
Roga para que trabalhe a favor do outro. Que se coloque a serviço dos outros, em negação às suas próprias necessidades: de ser consolado na dor, se ser compreendido, inclusive de ser amado.
São Francisco pede tudo isso pois reconhece que o amor que lhe basta vem do Pai, tanto é, que finaliza reconhecendo isso: é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado (novamente o perdão como restaurador da conexão com Deus) e é morrendo (dissolução do ego, não necessariamente a morte física) que se vive para a vida eterna, ou seja, para o reencontro com Deus.

Então meus queridos e minhas queridas, todas as vezes que mentalizarmos a Oração de São Francisco e direcionar nossas petições ao Criador e à Força Crística, tenhamos em mente que esta é uma poderosa ferramenta de nos colocar a serviço do outro, como forma de reestabelecermos nossa conexão com Deus.

Paz a todos!

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